terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Garota das Laranjas- JOSTEIN GAARDER


"Nós vivemos dentro de um grande conto de fadas, do qual ninguém faz realmente ideia” p.110.

"Só espero que você também tenha herdado uma sensibilidade aberta para esses pequenos mistérios." p.101

"Ao empregar o pronome nós a gente estabelece uma conexão entre duas pessoas com uma ação em comum e quase faz com que elas se transformem em uma só. Muitas linguas tem um pronome especial para se referir a apenas duas pessoas. Esse pronome se chama dual, e designa as coisas que vão em pares. Eu acho isso importante, pois ás vezes a gente não é nem uma pessoa e nem muitas. A gente só é "nós dois", e é como este "nós dois" fosse inseparável. São fabulosas as regras que passam a vigorar quando este pronome é subitamente introduzido , quase por um passe de mágica..." p. 92

"Esse telescópio deve o nome ao astrônomo Edwin Powel Hubble, que provou que o universo se dilata. Primeiro ele descobriu a nebulosa Andrômeda não é apenas uma nuvem de poeira e gás na nossa própria galaxia, e sim uma galaxia independente, fora da via láctea. O fato de a Via Láctea ser apenas uma de muitas galáxias derrubou a imagem que os astrônomos tinham do universo." p.88

"Você não viajou até Servilha para encontrar uma mulher. Se veio, não precisava ter tido tanto trabalho, mulher é o que não falta na Europa.Mas você queria encontrar à mim. Eu sou única. Eu também não mandei um cartão postal de Servilha para um homem em Oslo. Mandei-o para você. Pedi que você não me esquece-se. E que tivesse um pouco de confiança em mim."p.85

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Quem é você Alasca? - John Green


"Se as pessoas fossem chuva, eu era garoa e ela, um furacão"



“Alasca: Vocês fumam para saborear. Eu fumo para morrer.”


“Não posso ser uma dessas pessoas que ficam sentadas falando que pretendem fazer isso e aquilo. Eu vou fazer e pronto. Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia.”


“Percebemos tarde demais, quando perceber é inútil.”


“Isso é o medo: Perdi uma coisa importante, não consigo achá-la, preciso dela. É o que a pessoa sentiria se perdesse os óculos, fosse até uma ótica e descobrisse que todos os óculos do mundo tinham se acabado e que, agora, ela teria de se virar sem eles.”


“Ouvir em silêncio era meu modo de conviver em sociedade.”


“Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.”


“Chega uma hora em que é preciso arrancar o Band-Aid. Dói, mas pelo menos acaba de uma vez e ficamos aliviados.”


"Quando os adultos dizem: “Os adolescentes se acham invencíveis”, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar".

Crime e Castigo- Dostoiévski


Volume I

"...Afinal para se conhecer alguém, é preciso vê-lo e observa-lo muito tempo, cuidadosamente, sob pena de se deixar levar por prevenções e se cometerem erros difíceis  de se reparar mais tarde." p. 54

"Ora veja… é o que sempre acontece às pessoas românticas: enfeitam uma criatura, até o último momento, com penas de pavão, e não querem ver, nela, senão o que é bom, muito embora sentindo tudo ao contrário. Jamais querem, antecipadamente, dar às coisas o seu devido nome. Essa simples idéia lhes parece insuportável. A verdade, repelem-na com todas as forças até o momento em que aquela pessoa, engalamada por elas próprias, lhes mete um murro na cara"

" Tudo é relativo: hábitos, aparência...são preconceitos e nada mais." p. 133

" Parecia-lhe neste instante, ter-se desligado de si mesmo, como se o cortasse com uma tesoura, do laço que o prendia a humanidade, à vida em geral." p. 160

" " Onde é que eu li", pensou Raskólnikov, afastando-se," que um condenado á morte dizia, uma hora antes de seu suplicio, que se fosse preciso viver no alto, em cima de uma rocha escarpada, onde não  dispusesse se não de uma chapa estreita , da largura dos pés, uma chapada cercada de precipícios, perdida no meio dos oceanos infinitos , nas trevas eternas, numa perpetua solidão, exposto a tempestades contínuas, e que se tivesse que ficar ali, sobre esta largura de espaço, a vida inteira, mil anos, toda a eternidade, preferiria ainda assim esta vida à morte? Viver, viver somente. Viver, não importa como, mas viver...É a pura verdade, Senhor, a única verdade. O homem é um covarde...e mais covarde ainda  quem lhe reprova esta covardia" ' p.217

" " Foi a lua que criou o silencio", pensou Raskólnikov. " Ela esta entregue a decifração dos enigmas ..." Estava ali imóvel, esperando. A medida que aumentava o silencio noturno, as pancadas do seu coração  tornavam-se mais fortes, dolorosas. E sempre a mesma calma..."p.371

Volume II:

"Experimentava, aliás, verdadeiro desgosto à ideia de falar mais que o estritamente necessário." p. 47
" - O sangue todos o derramam- prosseguiu ele com crescente veemência. - Esse sangue corre sempre em ondas pela terra. Quem o derrama como champanha sobre todo o Capitólio e é tratado como benfeitor da humanidade. Examina um pouco as coisas antes de julgar..." p.315

Muitas palavras descobertas ou lembradas no livro Crime e castigo:

BONOMIA:Qualidade do homem bom, simples, crédulo.

SUPLÍCIO: s.m. Castigos corporais; tortura, sevícia.Intensa e prolongada dor física: a dor de dentes é um suplício.Fig. Tudo que provoca grande sofrimento moral; aflição intensa e prolongada: a presença dela é para mim um suplício.S.m.pl. Cordas com que os mártires eram supliciados.Disciplinas ou correias com que os religiosos castigavam o corpo; cilício.
Suplício de Tântalo, tormento daquele que deseja ardentemente uma coisa que parece próxima e, no entanto, é inalcançável.

BAZÓFIA: s.f. Impostura, fanfarrice, prosápia.Guisado feito de restos de comida.

DESAFOGO: s.m. Ação de desafogar; diminuição do trabalho, de um pesofísico ou moral; folga, alívio, desabafo: trazer desafogo.
Desembaraço, resolução.

COPIOSO: adj. Abundante, farto: refeição copiosa.
Volumoso, grande.

NEURASTENIA:  (neuro = cérebro, astenia= fraqueza), é um transtorno psicológico resultado do enfraquecimento do sistema nervoso central, culminando emastenia física e mental.


VITUPÉRIO: s.m. Ação ou efeito de vituperar. Comportamento, discurso ou atitude que demonstra ou expõe alguém ao insulto.Que possui a capacidade de ofender, de injuriar.
Ato vergonhoso, infame ou indigno, Ato de repreender, de condenar ou de censurar alguém.

RÉQUIEM: Prece pelos mortos.Música cantada durante os velórios ou simplesmente para homenagear os mortos.

AMANUENSES: Amanuense era todo aquele que copiava textos ou documentos à mão. A palavra amanuense provém do latim amanuense.Escrevente e copista são sinónimos de amanuense.

IRASCÍVEL: Que se irrita com facilidade.

APARVALHADO: adj. Atoleimado, idiota; espantado; desorientado. O mesmo que aparvoado.

TRESANDAR: v.t. Fazer andar para trás, desandar.Confundir, transformar.Exalar mau cheiro, empestar.

A culpa é das estrelas - John Green



"Olhei na direção do Augustus Waters, que me encarava. Dava quase para ver através dos olhos dele, de tão azuis. — Vai chegar um dia — eu disse — em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui — fiz um gesto abrangente — vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz. Eu tinha aprendido aquilo com meu já citado terceiro melhor amigo, Peter Van Houten, o autor recluso de Uma aflição imperial — de todos os meus livros, o mais próximo de uma Bíblia. Peter Van Houten era a única pessoa que eu conhecia que parecia: (a) entender o que era estar morrendo, e (b) não ter morrido." p. 19

"Meu Livro favorito era de longe, Uma aflição Imperial, mas nãos gostava de falar dele. Ás vezes,um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam. E aí tem livros como Uma aflição imperial, do qual você não consegue falar- livros  tão especiais e raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por ele parece traição.
 Não era nem pelo fato de o livro ser bom nem nada; era só porque o autor, Peter Van Houten, parecia me entender dos modos mais estranhos e improváveis. Uma aflição imperial era o meu livro, do mesmo jeito que meu corpo era meu corpo e meus pensamentos eram meus pensamentos." p. 37

" - Esse é o problema da dor- o Augustus disse, e aí olhou para mim. - Ela precisa ser sentida." p. 63

"  - Você sabe em que eu acredito? Eu me lembro de quando estava na faculdade , durante uma aula de matemática,  uma aula de matemática realmente fantástica dada por uma professora idosa de baixinha. Ela falava das transformações rápidas de Fourier, mas parou no meio de uma frase e disse: " Ás vezes parece que o universo quer ser notado"...p. 201

" Não posso falar de nossa história de amor então vou falar de matemática. Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de numeros entre o 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor de quem costumávamos gostar nos ensinou isto. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto limitado. Queria mais números do que provavelmente vou ter, e, por Deus queria mais números para o Augustus Waters do que ele teve. Mas, Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso".