sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014



Ai de repente você chegou no grande talvez da sua vida. Aquilo que você  quis aquela fuga, aquele sonho...aquele "e se..."  aconteceu. Dialogando com a solidão,  aqui sentada comigo mesma. A xícara de chá ainda  esta ao lado do livro que me disse:  que ha duas coisas para qual  eu nunca estarei preparada, o amor e a morte.Li  ainda mais: que não há como me  preparar e nem como prever ambos.

 O amor que sinto como sinto e onde tenho guardado ele somente eu que sei, eu posso tentar explicar, descrever, mesmo inutilmente pois amor só é amor quando sentido...detalhar ele a você mas somente eu sei, o prazer, as delicias, e o sabor... e como  é estranho de repente quem você ama estar do outro lado do oceano, Pois é. Quando começa a arder um pouco a saudade, procuro me lembrar que a distancia é algo bem relativo, você pode se  sentir sozinha quando esta rodeada de pessoas, mas é engraçado como a saudade tem sido de certa forma boa ainda, é legal a gente sentir falta de quem a gente realmente ama e perceber quem realmente sente a nossa falta.
Percebo que estes laços mesmo distantes ainda permanecem comigo. E que somente irei encontrar novamente aqueles que realmente foram estabelecidos sinceramente e pelo amor.




Graci Furby

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pedagogia da autonomia - Paulo Freire


"A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, como 
pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere 
alerta faz parte integrante do fenômeno vital. Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos 
move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a 
ele algo que fazemos. "(p. 32)

"Gosto de ser homem, de ser gente, porque não está dado como certo, inequívoco, irrevogável que sou ou serei decente, que testemunharei sempre gestos puros, que sou e que serei justo, que respeitarei os outros, que não mentirei escondendo o seu valor porque a inveja de sua presença no mundo me incomoda e me enraivece. Gosto de ser homem, de ser gente, porque sei que a minha passagem pelo mundo não é predeterminada, preestabelecida. Que o meu “destino” não é um dado mas algo que precisa ser feito e de cuja responsabilidade não posso me eximir. Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismo. Daí que insista tanto na problematização do futuro e recuse sua inexorabilidade. Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele.
Entre nós, mulheres e homens, a inconclusão se sabe como tal. Mais ainda, a ínconclusão que se reconhece a si mesma, implica necessariamente a inserçãp do sujeito inacabado num permanente processo social de busca." (p.52) 

“É o saber da História como possibilidade e não como determinação. O mundo não é. O mundo está sendo. Como subjetividade curiosa, inteligente, interferidora na objetividade com que dialeticamente me relaciono, meu papel no mundo não é só o de quem constata o que ocorre, mas também o de quem intervém como sujeito de ocorrências. Não sou apenas objeto da História, mas seu sujeito igualmente. No mundo da História, da cultura, da política, constato não para me adaptar,mas para mudar”. ( p. 76-77)

[...] Sempre recusei o fatalismo. Prefiro a rebeldia que me confirma como gente e que jamais deixou de provar que o ser humano é maior do que os mecanismos que o minimizam."(p.115)

"A importância do silêncio no espaço da comunicação é fundamental. De um lado, me proporciona que, ao escutar, como sujeito e não como objeto, a fala comunicante de alguém, procure entrar no movimento interno do seu pensamento, virando linguagem; de outro, torna possível a quem fala, realmente comprometido com comunicar e não com fazer puros comunicados, escutar a indagação, a dúvida, a criação de quem escutou. Fora disso, fenece a comunicação" (p.117)

"A humildade exprime, pelo contrário, uma das raras certezas de que estou certo: a de que ninguém é superior a ninguém. A falta de humildade expressa na arrogância e na falsa superioridade de uma pessoa sobre a outra, de uma raça sobre a outra, de um gênero sobre o outro, de uma classe ou de uma cultura sobre a outra, é uma transgressão da vocação humana do ser mais. O que a humildade não pode exigir de mim é a minha submissão a arrogância e ao destempero de quem me desrespeita. o que a humildade exige de mim, quando não posso reagir a altura da afronta, é enfrenta-la com dignidade.a dignidade do meu silencio e do meu olhar que transmite o meu protesto possível "(p.121)

"Estou convencido, porém, de que a rigorosidade séria disciplina intelectual, o exercício da curiosidade epistemológica não me fazem necessariamente um se amado, arrogante, cheio de mim mesmo. Ou, em palavras, não é a minha arrogância intelectual a que fala de minha rigorosidade científica. Nem a arrogância é sinal de competência nem a competência é causa arrogância. Não nego a competência, por outro lado, de arrogantes, mas lamento neles a ausência de simplicidade que, não diminuindo em nada 
seu saber, os faria melhor. Gente mais gente. "(p.146)

FREIRE,PAULO. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.