sábado, 29 de junho de 2013

Mãos


Eu sempre reparo em mãos.

A gente poderia segurar o nosso mundo inteiro em duas mãos.

Mãos que criam coisas maravilhosas.
Mãos que acalentam.
Mãos  que refletem o tempo.
Mãos que fazem cocegas.
Mãos que seguram outras mãos, que se multiplicam...
Mão que resgatam a lembrança, o tempo.
Mãos calejadas pelo esforço, sensíveis pelos amores.
Mãos que apontam, instigam,  se movem.
Mãos que não se fecham,  se doam.
Mãos que tocam, o outro, a música, a melodia do dia-a-dia.
Mãos que  se ensinam junto com outras mãos.
Mãos que seguram com delicadeza, para poder  libertar para voar...

Uma observação muito importante:  A-CA-LEN- TAR...  eis uma palavra que sempre me aquece por dentro quando leio.

Graci Furby.

**  Maõs desenhando- Escher

terça-feira, 25 de junho de 2013



Quando a minha janela embaça da chuva que esta forte lá fora, eu continuo a gostar nem que seja apenas do reflexo.
Quando o café esfria pela demora de tomar, eu continuo até o final da página.
 Quando o amor demora a aparecer, eu insisto porque sei que ele demora para ser bom, maduro e doce para se apreciar.
 Quando a tristeza bate, eu chamo ela para dançar a valsa, e dialogo um pouco assim... no escuro, no silêncio.

Quando você aparecer, só fica se estiver realmente disposto.
 Quando eu disser sim, é sim e não talvez.
 Quanto o relógio torturar, qual  é a duvida para você não me ligar?
 Quando você ligar, que seja sincero.

Hoje eu abri,  a porta para o vento entrar.
Hoje eu abri os braços para a Dona Lembrança que veio visitar.
 Hoje eu abri  os olhos e as possibilidades estão bem aqui...
 Hoje  abri a gaiola e descobri talvez  o que  é, o querer amar.

Despertencer ao mundo é uma forma de recriar.
 Despertencer ao  momento é um jeito da esperança chegar.
Despertencer ao tempo é a identidade anacrônica que me move.
Despertencer ao outro é o amar.

Graci Furby

**first love Romero Britto.


Poema de hoje :

AMOR E SEU TEMPO


Amor é privilégio de madurosestendidos na mais estreita cama,que se torna a mais larga e mais relvosa,roçando, em cada poro, o céu do corpo.


É isto, amor: o ganho não previsto,o prêmio subterrâneo e coruscante,leitura de relâmpago cifrado,que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,salvo o minuto de ouro no relógiominúsculo, vibrando no crepúsculo.


Amor é o que se aprende no limite,depois de se arquivar toda a ciência

herdada, ouvida. Amor começa tarde.

Drummond


quarta-feira, 19 de junho de 2013

O casaco de pupa.- ELENA FERRÁNDIZ.

Hoje tive o privilégio de descobrir e ler este livro.
É o melhor dos melhores sobre medo.
Me arrepia de ler, as ilustrações são lindas e conversam com o texto, se tiverem a oportunidade compre, é na faixa de 30 reais.

Toda manhã a menina metia-se no casaco de medos que usava desde pequenina e que foi crescendo com ela.

E saía pelas ruas coberta de medos.

Medo da solidão

Medo que não a queiram.

Medo que a queiram

Medo de voar

Medo de afogar-se.

Medo de sentir-se perdida.

Medo que tudo mude. Medo que tudo continue igual, igual, igual...

Medo do futuro.

Medo de repetir o passado. Medo de não AVANÇAR.

Medo de dar um passo.

Medo dos Outros.

MEDO DELA MESMA.

O casado ficou pesado demais e ela já não conseguia ir a lugar nenhum. Então, encheu-se de coragem e resolveu livrar-se del!

E VOOU."





"Aquilo que a lagarta chama de fim do mundo, o resto do mundo chama de borboleta" Lao Tse

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cícero- Tempo de pipa.

http://www.youtube.com/watch?v=FX9s_RfEzJE

"Mas tudo bem
O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo" 

Chegue assim,na gentileza, de repente e de surpresa... sem susto nem medo.
 Se acalma mais um pouco coração, que tem sido mais carência do que encantamento.
Traga o toque com você, me presenteie com  um olhar sincero.
Me segure com mãos que me libertam, que me transformem, que me  multipliquem,  me mostrem  aquilo de melhor que a gente puder criar, (re)criar,adoçar, deleitar... amar. Que me transforme em duas, em três, e nos meus melhores avessos.

Chegue assim, sem avisar, naquele outro dia.No hoje, que ás vezes me anula.

Dure, o tempo que me encante. E que me encante, do encontro ao desencontro.

Graci Furby