domingo, 22 de dezembro de 2013

Coração de tinta- (Cornelia Funke)




"É bom ter os próprios livros quando s está em um lugar estranho"(p.22)

"Quando você leva um livro numa viagem" dissera Mo quando ela pôs o primeiro no baú, " acontece uma coisa estranha : o livro começa a colecionar lembranças. Depois basta abri-lo, e você já esta de novo no lugar onde o leu. Tudo volta já nas primeiras palavras : as imagens, os cheiros,o sorvete que você tomou enquanto lia  Acredite , os livros são como papel pega-moscas. Não existe nada melhor para grudar lembranças  do que páginas impressas." (p.22)

"Para ela, sempre fora tão fácil se transportas para outros lugares, entrar na pele de animais e pessoas que existiam apenas no papel! Por que não naquele momento? Porque ela estava com medo. " Porque o medo mata tudo", Mo dissera um dia, " a razão, o coração e até mesmo a fantasia."(p.115)

"Ao que tudo indica, são muito poucos os que suportam mudar de mundo tão bruscamente. Nós dois sabemos como pode ser bom mergulhar num livro e viver nele por um tempo, mas ser arrancado de uma história e de repente se encontrar no nosso mundo não parece deixar a pessoa exatamente feliz." (p.130)

"Uma história, um romance, um conto- essas coisas assemelhan-se a seres vivos, e talvez o sejam de fato. Elas têm sua cabeça, suas pernas, sua circulação sanguínea e sua roupa, como pessoas de verdade." ( Erich Kastner, Emil e os detetives.)

...Ele sempre tivera medo da morte, ele a imaginava fria, como uma noite sem fogo. Contudo, nos últimos tempos, ele temia a inda mais uma outra coisa, e essa coisa era tristeza. Desde que Língua Encantada o trouxera para aquele mundo, ela o seguia como uma segunda sombra. Era uma tristeza que tornava os membros pesados e o céu cinzento." ( p.233)

'Pensando bem talvez ela fosse semelhante a ele: o lar dela também consistia em papel e tinta de impressão, como o dele. Talvez ela se sentisse tão estranha quanto ele no mundo real. (p.300)

terça-feira, 15 de outubro de 2013


Aquela sensação de : Vamos conquistar o mundo!

 E não é uma questão de eu querer conquistar , de eu querer a conquista,o ponto é : ele precisa urgentemente ser resignificado,impregnado de sentido, de vida, de sensibilidade.
 Eu não quero o mundo pra mim, eu não quero o mundo pra nós : eu quero o sopro de vida. A vida minha que cruza com a sua, que dialoga, que se multiplica... que cria algo neste mundo que só copia, que imita, que perde  o sabor.

Aquele momento que você descobre a fruta, e fica pensando que as pessoas só falam do bagaço.  Que as vezes" é não tem a fruta, não tem mesmo só tem bagaço", mas porque diacho a gente não lembra da semente que tá no bagaço.

Poxa vida mundo, pessoas, sociedade, você ai, EU : Não esquece da semente!


Graci Furby.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Tem dias que a gente cansa.
Tem gente que cansa os dias.

 Tem dia que a vida muda.
Tem algumas vidas que mudam o dia.

Tem me feito muita  falta, corações com menos calos. Olhares mais sinceros.
 Meu maior medo, é cansar de tentar. E ao mesmo tempo saber, que tudo isto não passa de um tempo que temos para fazer varias tentativas e agarrarmos  aquilo que nos toca. Acho que este sorriso nu sincero, escandaliza aqueles que já usaram e se vestiram de muitas paixões sem amor.

Eu desejo o nu, o sincero. O desvestir aquilo que não me cabe mais.



Graci Furby


domingo, 6 de outubro de 2013

Sobre laços e nós.


" Tudo é relativo: hábitos, aparência...são preconceitos e nada mais." Dostoiévski

Esta relatividade  as vezes me sufoca,  me aperta entre seu polegar e indicador, me despeja dentro de um frasco, me fecha  e me sacode. Esta relatividade que pode ser fechada com laço, e com fita  dentro de um embrulho recheado de surpresa, onde eu só preciso usar estes mesmos dois dedos para desfazer o laço, abrir e me surpreender.

O meu grande problema é que as vezes falta laço, e só sobra nó.  O nó do hábito. Esta teimosia de escolher o perfume ao invés do espelho. Esta mania tinhosa de lamber até a ultima gota,  e não aceitar o guardanapo.

O problema é que  ainda permanece estendido, hasteado, sacudindo, me sacudindo os pré-conceitos. Os  preconceitos ali bem fixados.  A previsibilidade e escolha dos  sonhos possíveis, apenas os possíveis. O sonho verdadeiro que decola sufocou com o peso do horizonte, tomou dose extra de liberdade  e compadeceu com a possibilidade, com o pré-conceito, com a estabilidade. Trocou a dose de alegria por certeza. E morreu. 

E que desate, desfaça e acabe este nó. 


Graci Furby. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

 Aquele momento em que você percebe que aquilo que te pesa a ancora que te prende a esta realidade,pode ficar um pouco mais leve.
 Aquele momento em que você se pergunta se esta barca sem sentido, sem sensibilidade realmente te leva a algum lugar?
 Aquele momento que por alguns instantes você  tem medo antes de mergulhar, mas descobre que aquilo que te cerca, o outro, é plural, é multiplicador. E  se   lambusa com a alteridade, lambe as pontas dos dedos até a ultima migalha deste contato.

 Aquele momento que num lapso, numa fração, num feixe, você consegue encontrar o sentido do eu, nem que seja só no reflexo.


Graci Furby

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Garota das Laranjas- JOSTEIN GAARDER


"Nós vivemos dentro de um grande conto de fadas, do qual ninguém faz realmente ideia” p.110.

"Só espero que você também tenha herdado uma sensibilidade aberta para esses pequenos mistérios." p.101

"Ao empregar o pronome nós a gente estabelece uma conexão entre duas pessoas com uma ação em comum e quase faz com que elas se transformem em uma só. Muitas linguas tem um pronome especial para se referir a apenas duas pessoas. Esse pronome se chama dual, e designa as coisas que vão em pares. Eu acho isso importante, pois ás vezes a gente não é nem uma pessoa e nem muitas. A gente só é "nós dois", e é como este "nós dois" fosse inseparável. São fabulosas as regras que passam a vigorar quando este pronome é subitamente introduzido , quase por um passe de mágica..." p. 92

"Esse telescópio deve o nome ao astrônomo Edwin Powel Hubble, que provou que o universo se dilata. Primeiro ele descobriu a nebulosa Andrômeda não é apenas uma nuvem de poeira e gás na nossa própria galaxia, e sim uma galaxia independente, fora da via láctea. O fato de a Via Láctea ser apenas uma de muitas galáxias derrubou a imagem que os astrônomos tinham do universo." p.88

"Você não viajou até Servilha para encontrar uma mulher. Se veio, não precisava ter tido tanto trabalho, mulher é o que não falta na Europa.Mas você queria encontrar à mim. Eu sou única. Eu também não mandei um cartão postal de Servilha para um homem em Oslo. Mandei-o para você. Pedi que você não me esquece-se. E que tivesse um pouco de confiança em mim."p.85

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Quem é você Alasca? - John Green


"Se as pessoas fossem chuva, eu era garoa e ela, um furacão"



“Alasca: Vocês fumam para saborear. Eu fumo para morrer.”


“Não posso ser uma dessas pessoas que ficam sentadas falando que pretendem fazer isso e aquilo. Eu vou fazer e pronto. Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia.”


“Percebemos tarde demais, quando perceber é inútil.”


“Isso é o medo: Perdi uma coisa importante, não consigo achá-la, preciso dela. É o que a pessoa sentiria se perdesse os óculos, fosse até uma ótica e descobrisse que todos os óculos do mundo tinham se acabado e que, agora, ela teria de se virar sem eles.”


“Ouvir em silêncio era meu modo de conviver em sociedade.”


“Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.”


“Chega uma hora em que é preciso arrancar o Band-Aid. Dói, mas pelo menos acaba de uma vez e ficamos aliviados.”


"Quando os adultos dizem: “Os adolescentes se acham invencíveis”, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar".

Crime e Castigo- Dostoiévski


Volume I

"...Afinal para se conhecer alguém, é preciso vê-lo e observa-lo muito tempo, cuidadosamente, sob pena de se deixar levar por prevenções e se cometerem erros difíceis  de se reparar mais tarde." p. 54

"Ora veja… é o que sempre acontece às pessoas românticas: enfeitam uma criatura, até o último momento, com penas de pavão, e não querem ver, nela, senão o que é bom, muito embora sentindo tudo ao contrário. Jamais querem, antecipadamente, dar às coisas o seu devido nome. Essa simples idéia lhes parece insuportável. A verdade, repelem-na com todas as forças até o momento em que aquela pessoa, engalamada por elas próprias, lhes mete um murro na cara"

" Tudo é relativo: hábitos, aparência...são preconceitos e nada mais." p. 133

" Parecia-lhe neste instante, ter-se desligado de si mesmo, como se o cortasse com uma tesoura, do laço que o prendia a humanidade, à vida em geral." p. 160

" " Onde é que eu li", pensou Raskólnikov, afastando-se," que um condenado á morte dizia, uma hora antes de seu suplicio, que se fosse preciso viver no alto, em cima de uma rocha escarpada, onde não  dispusesse se não de uma chapa estreita , da largura dos pés, uma chapada cercada de precipícios, perdida no meio dos oceanos infinitos , nas trevas eternas, numa perpetua solidão, exposto a tempestades contínuas, e que se tivesse que ficar ali, sobre esta largura de espaço, a vida inteira, mil anos, toda a eternidade, preferiria ainda assim esta vida à morte? Viver, viver somente. Viver, não importa como, mas viver...É a pura verdade, Senhor, a única verdade. O homem é um covarde...e mais covarde ainda  quem lhe reprova esta covardia" ' p.217

" " Foi a lua que criou o silencio", pensou Raskólnikov. " Ela esta entregue a decifração dos enigmas ..." Estava ali imóvel, esperando. A medida que aumentava o silencio noturno, as pancadas do seu coração  tornavam-se mais fortes, dolorosas. E sempre a mesma calma..."p.371

Volume II:

"Experimentava, aliás, verdadeiro desgosto à ideia de falar mais que o estritamente necessário." p. 47
" - O sangue todos o derramam- prosseguiu ele com crescente veemência. - Esse sangue corre sempre em ondas pela terra. Quem o derrama como champanha sobre todo o Capitólio e é tratado como benfeitor da humanidade. Examina um pouco as coisas antes de julgar..." p.315

Muitas palavras descobertas ou lembradas no livro Crime e castigo:

BONOMIA:Qualidade do homem bom, simples, crédulo.

SUPLÍCIO: s.m. Castigos corporais; tortura, sevícia.Intensa e prolongada dor física: a dor de dentes é um suplício.Fig. Tudo que provoca grande sofrimento moral; aflição intensa e prolongada: a presença dela é para mim um suplício.S.m.pl. Cordas com que os mártires eram supliciados.Disciplinas ou correias com que os religiosos castigavam o corpo; cilício.
Suplício de Tântalo, tormento daquele que deseja ardentemente uma coisa que parece próxima e, no entanto, é inalcançável.

BAZÓFIA: s.f. Impostura, fanfarrice, prosápia.Guisado feito de restos de comida.

DESAFOGO: s.m. Ação de desafogar; diminuição do trabalho, de um pesofísico ou moral; folga, alívio, desabafo: trazer desafogo.
Desembaraço, resolução.

COPIOSO: adj. Abundante, farto: refeição copiosa.
Volumoso, grande.

NEURASTENIA:  (neuro = cérebro, astenia= fraqueza), é um transtorno psicológico resultado do enfraquecimento do sistema nervoso central, culminando emastenia física e mental.


VITUPÉRIO: s.m. Ação ou efeito de vituperar. Comportamento, discurso ou atitude que demonstra ou expõe alguém ao insulto.Que possui a capacidade de ofender, de injuriar.
Ato vergonhoso, infame ou indigno, Ato de repreender, de condenar ou de censurar alguém.

RÉQUIEM: Prece pelos mortos.Música cantada durante os velórios ou simplesmente para homenagear os mortos.

AMANUENSES: Amanuense era todo aquele que copiava textos ou documentos à mão. A palavra amanuense provém do latim amanuense.Escrevente e copista são sinónimos de amanuense.

IRASCÍVEL: Que se irrita com facilidade.

APARVALHADO: adj. Atoleimado, idiota; espantado; desorientado. O mesmo que aparvoado.

TRESANDAR: v.t. Fazer andar para trás, desandar.Confundir, transformar.Exalar mau cheiro, empestar.

A culpa é das estrelas - John Green



"Olhei na direção do Augustus Waters, que me encarava. Dava quase para ver através dos olhos dele, de tão azuis. — Vai chegar um dia — eu disse — em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui — fiz um gesto abrangente — vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz. Eu tinha aprendido aquilo com meu já citado terceiro melhor amigo, Peter Van Houten, o autor recluso de Uma aflição imperial — de todos os meus livros, o mais próximo de uma Bíblia. Peter Van Houten era a única pessoa que eu conhecia que parecia: (a) entender o que era estar morrendo, e (b) não ter morrido." p. 19

"Meu Livro favorito era de longe, Uma aflição Imperial, mas nãos gostava de falar dele. Ás vezes,um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam. E aí tem livros como Uma aflição imperial, do qual você não consegue falar- livros  tão especiais e raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por ele parece traição.
 Não era nem pelo fato de o livro ser bom nem nada; era só porque o autor, Peter Van Houten, parecia me entender dos modos mais estranhos e improváveis. Uma aflição imperial era o meu livro, do mesmo jeito que meu corpo era meu corpo e meus pensamentos eram meus pensamentos." p. 37

" - Esse é o problema da dor- o Augustus disse, e aí olhou para mim. - Ela precisa ser sentida." p. 63

"  - Você sabe em que eu acredito? Eu me lembro de quando estava na faculdade , durante uma aula de matemática,  uma aula de matemática realmente fantástica dada por uma professora idosa de baixinha. Ela falava das transformações rápidas de Fourier, mas parou no meio de uma frase e disse: " Ás vezes parece que o universo quer ser notado"...p. 201

" Não posso falar de nossa história de amor então vou falar de matemática. Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de numeros entre o 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor de quem costumávamos gostar nos ensinou isto. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto limitado. Queria mais números do que provavelmente vou ter, e, por Deus queria mais números para o Augustus Waters do que ele teve. Mas, Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso".


domingo, 28 de julho de 2013

Elucubrar

 E a palavra descoberta de hoje é :
Elucubrar: v.i. Antigo. Realizar alguma atividade ou trabalho durante à noite, utilizando luz artificial.
v.t.d. e v.i. P.ext. Passar a noite estudando ou analisando intensamente um determinado assunto.
v.t.d. e v.i. Realizar ou desenvolver algo através de um esforço excessivo; construir alguma coisa por meio de análise: ela está lucubrando um filme; elucubrar um objetivo; ele precisa parar de elucubrar e construir algo mais concreto!
v.t.d. v.t.i. e v.i. P.ext. Pensar excessivamente; fazer especulações sobre alguma coisa (geralmente usado de maneira irônica): nunca constrói nada porque passa suas horas elucubrando sobre qualquer coisa; passava suas tardes a elucubrar.
(Etm. do latim: lucubrare)

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Creio que ele se aproveitou de uma migração de pássaros selvagens para fugir." (do livro O Pequeno Príncipe)



Eu queria a arte do silencio dentro da minha mente.Silenciar as vezes é uma ótima lupa para a segunda olhada na situação.
Queria a fuga suave, sem corrida, do hoje.
 Procurando me encontrar no esconderijo, que transformei em abrigo.
"Melancolia, é uma forma mais bonita de se ficar triste."
 

Graci Furby


sábado, 29 de junho de 2013

Mãos


Eu sempre reparo em mãos.

A gente poderia segurar o nosso mundo inteiro em duas mãos.

Mãos que criam coisas maravilhosas.
Mãos que acalentam.
Mãos  que refletem o tempo.
Mãos que fazem cocegas.
Mãos que seguram outras mãos, que se multiplicam...
Mão que resgatam a lembrança, o tempo.
Mãos calejadas pelo esforço, sensíveis pelos amores.
Mãos que apontam, instigam,  se movem.
Mãos que não se fecham,  se doam.
Mãos que tocam, o outro, a música, a melodia do dia-a-dia.
Mãos que  se ensinam junto com outras mãos.
Mãos que seguram com delicadeza, para poder  libertar para voar...

Uma observação muito importante:  A-CA-LEN- TAR...  eis uma palavra que sempre me aquece por dentro quando leio.

Graci Furby.

**  Maõs desenhando- Escher

terça-feira, 25 de junho de 2013



Quando a minha janela embaça da chuva que esta forte lá fora, eu continuo a gostar nem que seja apenas do reflexo.
Quando o café esfria pela demora de tomar, eu continuo até o final da página.
 Quando o amor demora a aparecer, eu insisto porque sei que ele demora para ser bom, maduro e doce para se apreciar.
 Quando a tristeza bate, eu chamo ela para dançar a valsa, e dialogo um pouco assim... no escuro, no silêncio.

Quando você aparecer, só fica se estiver realmente disposto.
 Quando eu disser sim, é sim e não talvez.
 Quanto o relógio torturar, qual  é a duvida para você não me ligar?
 Quando você ligar, que seja sincero.

Hoje eu abri,  a porta para o vento entrar.
Hoje eu abri os braços para a Dona Lembrança que veio visitar.
 Hoje eu abri  os olhos e as possibilidades estão bem aqui...
 Hoje  abri a gaiola e descobri talvez  o que  é, o querer amar.

Despertencer ao mundo é uma forma de recriar.
 Despertencer ao  momento é um jeito da esperança chegar.
Despertencer ao tempo é a identidade anacrônica que me move.
Despertencer ao outro é o amar.

Graci Furby

**first love Romero Britto.


Poema de hoje :

AMOR E SEU TEMPO


Amor é privilégio de madurosestendidos na mais estreita cama,que se torna a mais larga e mais relvosa,roçando, em cada poro, o céu do corpo.


É isto, amor: o ganho não previsto,o prêmio subterrâneo e coruscante,leitura de relâmpago cifrado,que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,salvo o minuto de ouro no relógiominúsculo, vibrando no crepúsculo.


Amor é o que se aprende no limite,depois de se arquivar toda a ciência

herdada, ouvida. Amor começa tarde.

Drummond


quarta-feira, 19 de junho de 2013

O casaco de pupa.- ELENA FERRÁNDIZ.

Hoje tive o privilégio de descobrir e ler este livro.
É o melhor dos melhores sobre medo.
Me arrepia de ler, as ilustrações são lindas e conversam com o texto, se tiverem a oportunidade compre, é na faixa de 30 reais.

Toda manhã a menina metia-se no casaco de medos que usava desde pequenina e que foi crescendo com ela.

E saía pelas ruas coberta de medos.

Medo da solidão

Medo que não a queiram.

Medo que a queiram

Medo de voar

Medo de afogar-se.

Medo de sentir-se perdida.

Medo que tudo mude. Medo que tudo continue igual, igual, igual...

Medo do futuro.

Medo de repetir o passado. Medo de não AVANÇAR.

Medo de dar um passo.

Medo dos Outros.

MEDO DELA MESMA.

O casado ficou pesado demais e ela já não conseguia ir a lugar nenhum. Então, encheu-se de coragem e resolveu livrar-se del!

E VOOU."





"Aquilo que a lagarta chama de fim do mundo, o resto do mundo chama de borboleta" Lao Tse

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cícero- Tempo de pipa.

http://www.youtube.com/watch?v=FX9s_RfEzJE

"Mas tudo bem
O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo" 

Chegue assim,na gentileza, de repente e de surpresa... sem susto nem medo.
 Se acalma mais um pouco coração, que tem sido mais carência do que encantamento.
Traga o toque com você, me presenteie com  um olhar sincero.
Me segure com mãos que me libertam, que me transformem, que me  multipliquem,  me mostrem  aquilo de melhor que a gente puder criar, (re)criar,adoçar, deleitar... amar. Que me transforme em duas, em três, e nos meus melhores avessos.

Chegue assim, sem avisar, naquele outro dia.No hoje, que ás vezes me anula.

Dure, o tempo que me encante. E que me encante, do encontro ao desencontro.

Graci Furby

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Flores.


"O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?" Clarice Lispector.

FLORES- TITÃS



"Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem
Flores
Flores



A dor vai curar essas lástimas
Olhei até ficar cansado
A dor vai curar essas lástimas
As flores de plástico não morrem" 



 Acho que nunca tinha entendido realmente esta musica. Finalmente chegou na minha esfera do real "As flores de plástico não morrem"... Sim estes ai da plateia  não eles não morrem, mas se matam com esta vida insipiente ! Sim finalmente o conflito esta sendo muito valioso sim!Sim é uma questão de escolha viver, e se saber que esta vivendo!
"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata."C.L.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

VERBO SER


Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.


Drummond

terça-feira, 23 de abril de 2013



Maquinomem.

O homem esposou a máquina 
e gerou um híbrido estranho: 
um cronômetro no peito 
e um dínamo no crânio. 
As hemácias de seu sangue 
são redondos algarismos.

Crescem cactos estatísticos 
em seus abstratos jardins.

Exato planejamento,
a vida do maquinomem.
Trepidam as engrenagens
no esforço das realizações.

Em seu íntimo ignorado,
há uma estranha prisioneira,
cujos gritos estremecem
a metálica estrutura;
há reflexos flamejantes
de uma luz imponderável
que perturbam a frieza
do blindado maquinomem.

                                 
                           Helena Kolody

Panaceia.

Palavra descoberta hoje: PANACEIA.


"s.f. Remédio pretensamente eficaz na cura de todos os males. Fig. Medidas ou providências supostamente capazes de sarar todos os males, mas especificamente ineficazes."



"Na mitologia grega Panaceia (ou Panacea em latim) era a deusa da cura. O termo Panacéia também é muito utilizado com o significado de remédio para todos os males.
Asclépio (ou Esculápio para os romanos), o filho de Apolo que se tornara deus da medicina, teve duas filhas a quem ensinou a sua arte: Hígia (de onde deriva higiene) e Panacéia. O nome desta última formou-se com a partícula compositiva pan (todo) e akos (remédio), em alusão ao fato de que Panacea era capaz de curar todas as enfermidades."*

domingo, 21 de abril de 2013

Execrável


Ainda não fui atualizada naquele dispositivo que todos tem.
 Não aprendi a usar a borracha para apagar a saudade.
E se me sobrasse só a falta, não teria como apagar. O que apagar. E mesmo assim acho que seria você.
 Esqueci meu calçado no meio na sala. Meu livro em baixo da cama. A gaveta aberta . A cafeteira ligada.   A palavra nós, a força que se tem ao usar, a delicia que é ouvir dos lábios que desejamos. Talvez não saiba mais a usar.
Cresci demais, não me serve mais.

Ama menina, não se fecha na concha.
Escuta aquele musica de novo. Volta naquele capítulo. Não deixa fugir o momento, que podia ser lembrança por pura preguiça das pessoas.
Não perde a lupa. Não enterra aquele sentimento. Pega aquele  toque nas mãos de novo.
O hoje escapa feito areia nos dedos  do amanhã. O amanhã já foi.
Amei de menos, com "achismo" de mais.

Rodopia mais um pouco.
Sem parar, se não cai. A vida é móvel, e neste vai e vem a gente se acha.
Vou pintar meu muro cinza pra ficar mais bonito. Vou dançar, com a Dona Tristeza vai que desiste de me procurar. Vou compor meu recital na barulheira do hoje. Vou assim vivendo na pausa,  anseando pelo proximo compasso. Antes que a flor morra, o momento se esvaie e travesseiro não seca.
Fala. Antes que a palavra morra fechada na boca.

Vou te contar. O meu sonho mais bonito. A minha tarde mais gostosa. A minha cor favorita.
A Maria Nínguem que me contempla no espelho. Que vive pelo sopro,  pelo ar das palavras feita do sonho.
Ontem eu disse que não, não ia mais falar.E sim viver.

Graci Furby

sábado, 20 de abril de 2013

Quase que foi...

Só estou enjoada dos sábados á noite, dos pés gelados, do chá esfriando, do livro quase terminado.
 Do amor que quase aconteceu, a companhia que quase chegou, da paixão que quase não acabou, do beijo que quase ganhei.
Da mão que quase achou uma para segurar, do momento que quase foi incrível, do café que queria mudar o dia, a semana, o mês...Mas o quase atrapalhou.
 Do batom vermelho que quase borrou, do perfume que quase marcou, do toque que quase foi mágico.



 Viver do quase, é quase  não viver.


Graci Furby.

sábado, 13 de abril de 2013

O machismo chato.

http://paniconaband.band.uol.com.br/videos/14399970/videos.asp

Não sei como funcina a questão das atualizações do site do panico na tv.  Vou esperar. Mas o video do dia 10 de abril que ta causando muita revolta ainda não foi postado.

Fico pensando, a atrocidade que é mostrada  dia a após dia e ninguem nunca diz nada. Primeiro não sabia do que se tratava, li a respeito num blog. E fiquei pensando, não, não é possivel ninguem tenha falado nada, que o cara tenha feito isto, que  ela não tenha deixado por isto mesmo, não digo na hora , ela era sim vitima na hora... mas não é possível! Mas pelo que li.É sim, exatamente isto que aconteceu. Nicole Bahls estava usando um vestido curto, justo atraente e Gerald Thomas  simplesmente enfiou  a mão entre as pernas dela. É exatamente isto. Mas á, veja bem, ela trabalha naquele lixo de programa, mostrando as calcinhas, ele simplesmente não resistiu.
 Pois é, a proxima vez que uma moça la pelos seus 20 anos corpo esguio vá curtir uma praia, goste de um shorts curto, ou simplesmente esteja com um jeans e for estrupada, melhor dizendo, a esposa que apanha todo dia, o pai que violenta a filha, a menina, a estranha a outra, a mulher que simplesmente  foi até o mercado ali buscar alguma coisa e nunca mais voltou, e o enterro foi com o cachão fechado...  a e a nosso caso de Aracelli  que até hoje  não foi julgado...

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RvaqT-e_nWI#!

Não, não ai é violencia.

 Tudo bem né, alguem simplesmente enfiar a mao entre as pernas de alguém, tudo bem né todo mundo botar pano quente e nem se ter uma divulgação e nem repercução real, tudo bem né... uma mulher ser estrupada no Brasil a cada 12 segundos, tudo bem né a gente ter que  suportar o machismo chato do dia a dia, a cantada da esquina, um velho nojento sinalizar para você por causa do batom vermelho, aquela passada de mão no onibus que estava "lotado".




 Tudo bem né, a mulher ser assim aquele gostosona lá que todo mundo deseja, usa.... a imagem, o corpo, a apelação. USA, usa como objeto.


 AAAAAAAAAAAAAAAAH!O problema não é esta foto ai em cima, ou o que passou na tv no dia 10 de Abril.
É todo dia, dia após dia!

Nada bem né!




"Presumiam um presente eterno, baseando seu raciocínio na negação da possibilidade de um futuro diferente do passado." BETTY FRIEDAN - Mistica Feminina. 

Graci Furby.

domingo, 7 de abril de 2013

Oi mãe eu estou apaixonada pela vida!

Epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência de algo. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa". O termo é aplicado quando um pensamento inspirado e iluminante acontece, que parece ser divino em natureza (este é o uso em língua inglesa, principalmente, como na expressão I just had an epiphany, o que indica que ocorreu um pensamento, naquele instante, que foi considerado único e inspirador, de uma natureza quase sobrenatural). *

 Sim, finalmente as borboletas e aquele flash de esperança voltou!
 Sim, finalmente a Dona Angústia se mandou e não deixou recado!

  É bom ter aquela sensação que o coração esta maior que o peito.
Melhor ainda é quando isto esta projetado em algo que é todinho seu, em sonho, em sopro de vida...Na vida! E não projetado sobre alguém, na dependencia...Em bases futeis.

Oi estado de paz que chega assim em meio aos caos sem avisar. Seja muito bem vinda!

Milhões de pensamentos, de sentimentos, de suspiros... Em cada tecla.
O Sr. Piano, voltou a  me fazer companhia

Aquela sensação boa com o silêncio, aquele conforto no escuro, na ausência... No calar que fala!
Aquela segunda olhada na situação, aquele segundo ponto de vista, que na verdade deveria ter sido o primeiro.

Aquela Dona Saudade boa que vem fazer visita, trazendo sorriso de presente!

 Oi Paixão. Pode chegar.Que desta vez eu prometo que vou ser mais teimosa com esta Dona Felicidade. Carregando a fé no bolso do coração!


Graci Furby


*http://pt.wikipedia.org/wiki/Epifania




"when i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all
breathtaking"

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=MH6Ed4V3tpo#!

domingo, 31 de março de 2013

A paixão Segundo G.H. - Clarice Lispector

"Fico tão assustada quando percebo que durante horas perdi minha formação humana. Não sei se terei uma outra para substituir a perdida. Sei que precisarei tomar cuidado para não usar superficialmente uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de uma verdade Mas é que também não sei que forma dar ao que me aconteceu. E sem dar uma forma, nada me existe. E - e se a realidade é mesmo que nada existiu?! Quem sabe nada me aconteceu? Só posso compreender o que me acontece mas só acontece o que eu compreendo - que sei do resto? O resto não existiu. Quem sabe nada existiu! Quem sabe me aconteceu apenas uma lenta e grande dissolução? E que minha luta contra essa desintegração está sendo esta: a de tentar agora dar-lhe uma forma? Uma forma contorna o caos, uma forma dá construção à substância amorfa - a visão de uma carne infinita é a visão dos loucos, mas se eu cortar a carne em pedaços e distribuí-los pelos dias e pelas fomes - então ela não será mais a perdição e a loucura: será de novo a vida humanizada.
A vida humanizada. Eu havia humanizado demais a vida.
Mas como faço agora? Devo ficar com a visão toda, mesmo que isso signifique ter uma verdade incompreensível? ou dou uma forma ao nada, e este será o meu modo de integrar em mim a minha própria desintegração? Mas estou tão pouco preparada para entender. Antes, sempre que eu havia tentado, meus limites me davam uma sensação física de incômodo, em mim qualquer começo de pensamento esbarra logo com a testa. Cedo fui obrigada a reconhecer, sem lamentar, os esbarros de minha pouca inteligência, e eu desdizia caminho. Sabia que estava fadada a pensar pouco, raciocinar me restringia dentro de minha pele. Como, pois, inaugurar agora em mim o pensamento? E talvez só o pensamento me salvasse, tenho medo da paixão.
Já que tenho de salvar o dia de amanhã, já que tenho que ter uma forma porque não sinto força de ficar desorganizada, já que fatalmente precisarei enquadrar a monstruosa carne infinita e cortá-la em pedaços assimiláveis pelo tamanho de minha boca e pelo tamanho da visão de meus olhos, já que fatalmente sucumbirei à necessidade de forma que vem de meu pavor de ficar delimitada - então que pelo menos eu tenha a coragem de deixar que essa forma se forme sozinha como uma crosta que por si mesma endurece, a nebulosa de fogo que se esfria em terra. E que eu tenha a grande coragem de resistir à tentação de inventar uma forma."
"Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. Muitas vezes antes de adormecer - nessa pequena luta por não perder a consciência e entrar no mundo maior- muitas vezes, antes de ter a coragem de ir para a grandeza do sono, finjo que alguém está me dando a mão e então vou, vou para a enorme ausência de forma que é o sono. E quando mesmo assim não tenho coragem, então eu sonho."

"Entre duas notas de musica existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir- nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.""

"É quase impossível.É que no neutro do amor está uma alegria continua, como um barulho de folhas ao vento. E eu cabia na nudez neutra da mulher da parede. O mesmo neutro, aquele que me havia consumido em perniciosa e ávida alegria, era nesse mesmo neutro que eu agora ouvia outra espécie de alegria continua de amor...""

"Não quero a beleza, quero identidade."

sábado, 23 de março de 2013


Procura-se um amor que também ache que a felicidade cabe em um segurar de mão. Que ame, se arrepie, e anseie pelo toque gentil das pontas do dedos no pescoço. Que guarde o perfume do momento junto com a lembrança. Que fique de bem com o silencio, com a pausa entre dois momentos incríveis... que se sinta bem e consiga caber entre o olhar nos olhos sem se sentir nu.Que consiga ler isto que eu estou tentando falar com os olhos.


De verdade. Eu realmente quero.

Não estou mais procurando a terceira perna, e nem quero mais ser a terceira perna de nínguem.
 Não quero caber na vida de alguém, nem que alguém caiba em minha vida. Eu quero o momento que é nosso. O hoje vivido que ninguém me rouba.
Aquele segurar de mão, que não precisa de palavra. Aquele olhar que não precisa de promessa. Aquele amor que vira a gente no avesso, nos mostrando o melhor lado. Que é nós, que é nosso, que a gente sempre soube. Procura e um dia acha.


Graci Furby



sexta-feira, 15 de março de 2013

Por obséquio.


Me diz: como expressar no papel, isto que esta ardendo na pele?
A falta do toque, a ausência do som, a insipiência que causa o falta do perfume.
Me diz: será mesmo tão utópico pensar em amar e ser amada?
 Faz tanto tempo que espero sem receber, que já é como ter minha própria concha.
Me diz: aquele papo do arco-íris depois do temporal, será mesmo?
Ou talvez, seja a gente que faça o arco-íris.

Meu pinceis estão meio encrustados, meus joelhos meio cansados, meus olhos sonolentos. Minhas mão permanecem soltas ao redor do meu corpo, seguindo a cada rodopio da cantiga da Dona Vida, que obedece por obrigação ou medo, aqueles dois ponteirinhos metálicos que giram em circunferências de pulsos ou de paredes,diversos tamanhos, porém são estes mesmos dois ponteirinhos que ditam as regras.

Uma vez eu ouvi, não lembro de onde que : " A saudade só é bonita no papel, na vida real ela arde".
 Eu não sei bem ao certo do que eu tenho tanta saudade, é tanta gente que  eu queria que ficasse mas passaram, se foram, não voltam. Algumas permanecem, mas talvez pela minha concha, ou devido  aqueles dois ponteirinhos se tornaram estranhos em meu novo mundo particular. O mais triste eu acho é perder, quem ainda permanece.


A gente sempre se sente com ânsia de viver depois que passa  dos vinte, é estranho, parece que os 16 foi ontem, e de repente sua irma mais nova completa 17. E seu livro preferido continua lá na sua cabeceira da cama, a sua musica favorita ainda não te enjoou, aquela regata branca ainda é sua roupa favorita... é como se sentir meio anacrônica, "despertencente" ao tempo. Despertando pela primeira vez meio confusa como de um sono profundo, para a vida.

Vou continuar por aqui, avistando de cima do momento o hoje. E de alguma forma pintando as sete cores do arco-íris no amanhã cinza, a oitava cor  eu deixo para você.

Graci Furby.



terça-feira, 12 de março de 2013

Mística Feminina - Betty Friedan

Muito obrigada Betty Friedman, por ter escrito, vivido e compartilhado tão ricos pensamentos. Leitura obrigatória para resgatar aquilo de melhor que somos. 


"Presumiam um presente eterno, baseando seu raciocínio na negação da possibilidade de um futuro diferente do passado.'''

"Procuram segurança no rapaz, em lugar de procurá-la em si mesmas, e cada ato de traição própria inclina a balança mais um pouco na direção de autodepreciação e da passividade."'

"Mas que dizer das jovens que nem chegam a fazer os trabalhos de estágio por causa das mamadeiras?Por culpa da mistica feminina , poucas consideram ma tragédia o fato de se encontrarem presas a uma só paixão, uma só ocupação, um único papel na vida. Educadores avançados, em princípios da década de 60. faziam planos de adiantamento da educação da mulher até depois da formação da família, reconhecendo assim que se resignavam quase unanimemente aos casamentos prematuros que continuavam a grassar. Mas, escolhendo a feminilidade de preferencia a uma penosa evolução até a plena identidade, o que não se consegue pela fantasia e sim pelo domínino da realidade, essas jovens estão condenadas a sofrer mais tarde aquela sensação difusa de tédio, falta de objetivos,não-existência e não-envolvimento com o mundo, a que se pode chamar anomia , falta de identidade, ou simplesmente problema sem nome. Contudo é demasiado fácil transformar a educação em bode expiatório. Sejam quais forem os erros dos educadores orientados para o sexo, outros combateram inutilmente na retaguarda, procurando levar as mulheres inteligentes a << visualizar novos objetivos e evoluir para alcança-los>>. Em ultima análise, milhões de pessoas decidiram neste país não fazer uso da porta que a educação poderia abrir-lhes. A escolha- e a responsabilidade - do retorno para o lar é delas, afinal."'

"Então, a cisão da imagem desaparecerá e as filhas não terão que enfrentar aquele dilema aos vinte e um, ou aos quarenta e um anos.Quando as mães realizadas as conduzirem a segurança de sua condição de mulher não será necessário esforçar-se por ser feminina. Poderão evoluir a vontade, até que por seus próprios esforços encontrem sua personalidade. Não precisarão da atenção de uma rapaz ou de um homem para se sentirem vivas. E quando não mais precisarem viver através do marido e dos filhos, os homens não temerão o amor e a força da mulher, nem precisarão de suas fraquezas para provar a própria masculinidade. E finalmente homem e mulher verão um ao outro como de fato são, o que talvez venha ser um passo adiante na evolução humana. Quem sabe o que será da mulher quando finalmente livre para ser ela mesma ? Quem sabe qual a contribuição da sua inteligencia quando esta puder ser alimentada sem sacrifício de amor ? Quem sabe das possibilidades do amor quando homem e a mulher compartilharem não só dos filhos, do lar, de um jardim da concretização de seu papel biológico, mas também das responsabilidades e paixões do trabalho que constrói o futuro humano e traz pleno conhecimento da personalidade? Mal foi iniciada a busca da mulher pela própria identidade. Mas está próximo o tempo em que as vozes da mística feminina não poderão abafar a vos intima que a impele ao seu pleno desabrochar"

terça-feira, 5 de março de 2013

Sobre Importancias - Manoel de barros.


"Um fotógrafo-artista me disse uma vez: veja que o pingo de sol no couro de um lagarto é para nós mais importante do que o sol inteiro no corpo do mar.
Falou mais: que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balança nem com barômetro etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.
Assim um passarinho nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que a Cordilheira dos Andes.
Que um osso é mais importante para o cachorro do que uma pedra de diamante.
E um dente de macaco da era terciária é mais importante para os arqueólogos do que a Torre Eiffel. (veja que só um dente de macaco!)
Que uma boneca de trapos que abre e fecha os olhinhos azuis nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que o Empire State Building.
Que o cu de uma formiga é mais importante para o poeta do que uma Usina Nuclear. Sem precisar medir o ânus da formiga.
Que o canto das águas e das rãs nas pedras é mais importante para os músicos do que os ruídos dos motores da Formula 1.
Há um desagero em mim de aceitar essas medidas.
Porém não sei se isso é um defeito do olho ou da razão.
Se é defeito da alma ou do corpo.
Se fizerem algum exame mental em mim por tais julgamentos, vão encontrar que eu gosto mais de conversar sobre restos de comida com as moscas do que com homens doutos."

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013


A maquiagem de hoje esconde a olheira de ontem.
O suspiro de hoje, quer o alguém de amanhã.
A pulsação do momento, quase falha de saudade.

A canseira de hoje, esta desde ontem.
A alegria de hoje, tomara que fique até amanhã.
A dor do momento, quase sufoca o prazer da vida.

A cor do hoje, tomara que encontre o arco-íris amanha.
O monstro de hoje, vai sair de baixo da cama e é agora!
E o momento... Espero que me encontre em um melhor.


A gente costuma decorar o nosso dia, com aquilo que a gente fala com o outro. Divide e recebe.
 Com  aquilo que a gente não esquece que esta ali, atras de algum momento. Nos espiando com a porta entre aberta. A gente as vezes pode escolher, se não tem um momento tão bom para a gente permanecer, se balançar um pouco entre um e outro.

A paciência de hoje, vai ter que esperar por mais algum tempo.Parar um pouco  para respirar...Em paz.  Entender a Paz. Escolha e não circunstância. Estado e não refúgio...Sem angustia ardendo no peito.


Graci Furby

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Eu gosto mais de libélulas do que de borboletas...Acho que elas tem uma beleza mais sutil, mais simples.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Delicadeza


Uma grande salva de palmas a delicadeza da vida, do amor, do momento, do sublime.
E das pessoas  raras que ainda existem que falam nesta língua.
De desconhecidos que dão um belo sorriso de presente à você.
Ás pessoas que gostam de uma  conversa, e respondem o bom dia!

As borboletas estão vivendo aqui de novo. Se isto é bom ou ruim não sei...
Mas, muito obrigada dona delicadeza, por chegar assim sem avisar.  Por me dar uma lente mais sutil, mais atenta. Por me salvar da minha tarde chata.

Graci Furby


domingo, 27 de janeiro de 2013

Espero com toda minha fé, com todo meu coração. Que as pessoas são esqueçam tão fácil do dia 27 de janeiro de 2013, muitas pessoas morreram hoje. Enquanto as pessoas podiam  morrer e morreram... a exigência era de que as comandas fossem pagas(?). Fico pensando a que ponto chegamos, as pessoas perderam a humanidade, qual o valor proporcional entre dinheiro e gente, gente que podia ter sido eu ou você. Não quero ser  demagógica, mas realmente, meu coração hoje ficou em luto. Tristeza este sistema que a gente vive, e as atitudes/posturas absurdas que as pessoas tem/tomam por serem subjugadas à outras.
 Meus sinceros sentimentos, as 233 vítimas de hoje,  a cada família, amigo... a cada sonho que morreu hoje, a cada amor que encerrou.
Não apenas aos 233 de hoje, mas a cada  vitima que compõem o "índice" .... por uma saúde pública  muito mais do que precária,  por cada bala perdida  que acha a um jovem, uma criança, um ser humano... pela segurança pública lastimável, a violência  abundante é a febre de um sistema injusto em crise, pela desnutrição que mata e muito ainda no Brasil e em tantos outros lugares... e as infinitas mazelas de nosso dia a dia.
 A pergunta é: até quando ?


Graci Furby

Foto da Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1221388-proprietario-depoe-e-confirma-alvara-vencido-de-boate-incendiada.shtml

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Loopings

Minha vida parece uma montanha Russa.
 Com vários altos e baixos.
 Eu já deveria ter me acostumado, mas sempre acabo vomitando e passando mau no final.

Mas quer saber?

 Os loopings sempre acabam valendo a pena.


Graci Furby

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013


Eu estou com um grito, que tem que ficar mudo. Preso dentro da garganta.

Hoje eu vi um tucano. Lindo magnífico a combinação de cores dele era perfeita, o bico dele  era feito do material mais brilhante e resiste que eu já vi. Ele custava seis mil e quinhentos reais, e ficava preso dentro de uma gaiola, pulando de um puleiro para o outro. Eu fiquei cerca de 5 min. parada em frente a gaiola, e juro: aquele tucano por alguns segundos, parou do revezar  sufocante desesperado, e olhou pra mim. Eu. Parada. Tentada realmente a abri-lá.
A porta era pequena... Ele não conseguiria sair rapidamente, se ele voasse provavelmente não teria nem onde ficar ( a loja era bem no centro da cidade), provavelmente seria pego por outra pessoa...
Ah, mas veja bem, poxa vida...afinal ele iria voar um pouco, quanto tempo fazia será que ele não voava
Ok. É uma ótima ideia: abrir a gaiola!
O que será aconteceria comigo?
 Mandariam me prender?
Por tentar abrir a gaiola do tucano, provavelmente algo do tipo: dano a propriedade privada.
Mas desde quando o tucano passou a ser de alguém? Porque alguém pode vender ele por quase 7 mil reais?!
Dei meia volta,  sai da loja.
Permaneci em um local o resto da tarde, fazendo alguma outra coisa. E tentando não pensar no tucano.

Como eu estou me sentindo hoje? É basicamente igual o tucano.
Eu sei, que você já deve estar vomitando o discurso das bases igualitárias, do sistema que te engole, no seu trabalho que te suga... mas me diz: como abrir a gaiola do tucano?
 Não tenho 6,500 mangos!

Tá sentindo o desespero?

E  o negócio aqui tratado, que esta me borbulhando por dentro... não é uma questão só de tucanos. É uma questão de toda a porcaria da iniquidade.


Graci Furby

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Um amor aventureiro

Tenho um pouco de medo, de acreditar no surpreendente, esperar o aventureiro, e no final... ser aquela mesma história de sempre: a mesma conversa, a mesma falta de conversa, e aquele silencio constrangedor.
Eu quero o silêncio confortante, aquela fala sem palavras. Os olhos transbordantes daquilo de melhor que se tem por dentro. E o sorriso que ilumina.
Eu quero, eu realmente quero.

Gosto do modo de como o suspense paira no ar. O comum me aborrece, o diferente é quem me chama.


Graci Furby