segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Final Feliz.


Eu não tenho para onde ir hoje. Nenhuma mão para segurar no momento. E nem um cachorro para puxar pelo rabo. Um coração solitário chutando lata na rua e andando por ai... Um coração que bate tão rápido que zuni talvez. Mas olhando para este céu estrelado, um casal lá longe que tem plumas brancas em vez de cabelos que existiram antes. Acho que este solitário velho coração que habita em menina ainda tem alguma chance. É como se eu soubesse o que eu não sei. Só não me pergunte como eu estou hoje, talvez eu não use as palavras direito.
Estas tardes de começo me inverno, são realmente mágicas,as folhas caem como tapete , e o frio pinta a ponta do nariz de vermelho. Eu pego no ar o cheiro, e seguro nuvem na mão até ela virar chuva, eu abraço o raio do sol. Eu falo com cachorro eles sempre tem o olhar sincero sem palavras que falam: sim eu vou te esperar até você voltar. E eu ainda escorrego de meia pela casa, e sabe, eu não me importo.
            Eu não gosto de ficar horas na frente do espelho. Eu não sei andar de salto. Eu não tenho um pijama de mulher por sinal todos eles ainda são largos e com algum desenho... Ou quem sabe só uma regata velha. Eu gosto do meu mundo, talvez eu seja a Dorohty no caminho de tijolinhos amarelos, seria ótimo compartilhar ele com alguém.
            Hoje meu coração começou a se queixar desta solidão e porque eu não arranjo alguém de uma vez. Mas quando eu vejo aquele casal, sim ,aqueles com cabelos tão brancos que parecem plumas ... Eu sei que de alguma forma o “felizes para sempre” ainda existe. E final feliz não ,porque se é realmente feliz não tem final.




 Graci Furby

Tristeza.


Matar é pecado... Mas eu matei minha tristeza. Fui tirando ela pedacinho por pedacinho, lasquinha por lasquinha, até não sobrar nenhuma gota! Desculpa as lágrimas que me servem de colírio, às vezes, mas, chega de brotar aqui. Meu sorriso esta meio torto, minha gargalhada meio falhada.  Mas continuo tentando. E até agora tem dado certo.
            Dona Tristeza lhe dou um mês para você empacotar toda sua desesperança, pouca fé, e ruína. Porque eu estou arranjando outro inquilino.


Graci Furby

Boneca de pano.


Boneca de pano é assim. Feita por avó.  Resistente aos tombos da vida. Junta um retalho daqui, um pedaço de fita de lá, é construída com toda diversidade, com toda simplicidade. Jamais vai ter uma vida só protegida por uma caixa, observando tudo da prateleira. Pode viver menos, rasgar mais, não porque é mais frágil, mas porque realmente experimentou a infância de perto.

Graci Furby

Bagunça.


Bagunça boa esta que a gente às vezes se permite. Tirar o pé do chão, e deixar a cabeça girar um pouco entre mim e você. Reconsiderar, dar uma nova olha nos fatos velhos. Reciclar, os ares, os amores, as dores...
            Deixa o sol mostrar a bagunça. Deixa a verdade transbordar. Deixa a sinceridade inundar. Não precisa ser tudo sob medida, vamos acabar com esta sob pressão.
Graci Furby 

Laço.


Prefiro o laço. Que segura sem apertar. Que fecha sem prender. Que uni dois, em um. Que enfeita a vida. Que não é tão fixo e imutável.  Que não é difícil de desfazer. Que é leve, não é sofrido.  Que depende do cuidado para não desmanchar. Que é tão fácil de fazer depois que a gente aprender um pouco com a vida.
Mas o nó, o nó eu não suporto.

Graci Furby

Perdendo.


Perdi o juízo, e arrisquei. Falei tudo o que estava passando na cabeça. Deixando de mostrar o que eu não sou. Mostrando que eu, não sei quem sou. Cessar de tanto ter. Afrouxando um pouco a vida. Perdi a hora, e ganhei o dia.  
Perdendo o velho horizonte de vista, guiada sem bussola. Naufragando no novo mar. Perdendo um pouco a gente ganha mais. Cansei de ser a vencedora. 

Paciência.


Quando a preocupação secar sua boca, afundar seus olhos em olheiras, arder no seu estomago, minar seu sono do travesseiro, atrapalhar sua visão de mundo. Eu vou te pedir um pouco mais de paciência.
Saber esperar, navegando na angústia, e esta, você não deixa ficar na maré alta sempre. Faz um acordo com a lua.      E muito cuidado para os seus sonhos não se afogarem.
A alma pede calma. O corpo pede mais alma. Enxergar um pouco alem do pragmático. O neurótico ao meu lado fala que isto é normal,  a tarja preta que deveria funcionar, censurou à vida ao redor.
Esperar a semente florescer. Sem esquecer aquilo que você plantou.
  Graci Furby



Respostas.


Daqui de cima deste momento. Eu continuo me sentindo para baixo. Ás vezes é o instante que atrasa um pouco meu relógio, da um pouco de paz na minha pressa. A pausa semibreve.  Ainda bem que eu não desacreditei na fé do tamanho de um grão de mostarda.
 Onde vou achar  enfim, um pouco mais de perseverança. Afinal, no final das contas a gente nem sabe muito bem quais são a soma dos fatores. E porque a gente sempre complica os resultados. Percebendo que eu não tenho encontrado as respostas nos fatos. As respostas que eu tenho indagado tanto, ecoam na amplidão do céu estrelado.

Graci Furby

Armadura.



A minha armadura, está mais flexível. A minha couraça esta meio comida pelas traças. Não tem coberto bem o que eu escondo no peito do lado esquerdo.  O meu elmo, esta meio desajustado, impedindo uma visão mais ampla. O meu escudo, mesmo gasto e não tão brilhoso quanto antes, tem me protegido muito bem dos dardos inflamados. 
A minha espada, esta tão afiada como as palavras na ponta da minha língua. As maiores batalhas são preparadas aos menores guerreiros. Sabedoria, habilidade é melhor que quantidade. Na pressão apressada, do dia a dia.

 Graci Furby 

Fluir


A vida é fluente. A alegria pode ser corrente. E as pessoas não são concorrentes. Seus olhos estão fundos no seu rosto. A resaca depois da maré tão cheia. E no profundo dos seus olhos, eu vejo o brilho. Eu enxergo melhor a vida através de você. Eu me movo dentro do seu amor.
E no profundo dos seus olhos, eu enxergo sua melhor parte. Consigo sentir através das suas palavras o que você tem reservado para mim no fundo do seu coração.  Um rio que flui, em cada veia do seu corpo. Um oceano inteiro de amor, que o seu coração propaga. Creio que a gente que faz o tempo. Que faz o arco-íris na chuva. Que tira da cartola o coelho branco. Tentar.
 Graci Furby

Mais. Menos.


Mais descanso. Menos sono.
Mais criatividade. Menos repressão.
Mais abraço. Menos solidão.
Mais música. Menos barulho.
Mais silencio. Menos arrependimento.
Mais pedalar. Menos stress.
Mais perfume. Menos, apenas cheiro.
Mais liberdade. Menos cárcere privado.
Mais laço. Menos nó.

 Graci Furby

Despertencer ao mundo.


Despertencer de quem não pertence a mim. Que prefere a brandura. O médio. O meio termo. As meias palavras.  O morno. O cinza. Mediano para não sair da média.
Não parar no suficiente. Naquilo que basta para você, e não pra mim.  Ocupando um lugar razoável entre o conforto e o sofrimento. O bom versus o medíocre.
 Quero pertencer ao aprazível, ameno, delicioso.  

Graci Furby

Comida


Degusto a vida, sem dieta. Adoçando o máximo possível. Este açúcar não dá cárie e faz o sorriso muito mais sincero e bonito. Você pode escolher o prato do dia. E mudar um pouco o cardápio da minha vida.
Não me preocupo com o ponteiro da balança, quebrei o ponteiro do meu relógio me desprendendo um pouco das medidas. 

Graci  Furby 

Chaves


Sempre tem que encaixar. Tem que ser apropriado a lingueta de metal imutável da fechadura. Caber. Ser moldada de acordo. Achar a chave, que às vezes perdemos para dar partida na vida. Abrir com a chave da esperança o cadeado da janela do nosso horizonte. 
Graci Furby 

Árvores


Eu deveria aprender a observar melhor as árvores. Ser a última folha, teimosa a cair no outono. Esperar as folhas verdes brotar novamente. Não esquecer de florir na primavera.
Não sei em qual estação do ano a sua árvore esta. Só sei que depois do inverno, sempre tem a primavera.
Graci Furby 

Vestido de casamento.


Você pode me usar como um grande anel de ouro no seu dedo. O corredor da vida eu percorro com meu pai. Mas estaria  disposta a dizer um sim á você.
Meu vestido agora esta branco e integro. Agora as nossas mãos esquerdas podem suportar um ao outro.  Como presente, eu agrego a minha vida na sua. Para quanto mais a gente se dividir, a gente mais multiplicar a vida. Mão limpas, um coração sincero.

 Graci Furby

sábado, 3 de novembro de 2012

Guarani-Kaiowa


E depois que a gente limpa um pouco os olhos, a gente enxerga melhor. A vida e principalmente as pessoas que nos cercam.
 A gente percebe que a mistica esta em cada ato, em cada palavra, entre aquilo que me move e aquilo que te toca. E que meus sonhos estão todos conectados por um tear gigantesco feito pela humanidade.
Que a gente vai assim apreciando a vida, contestando o incontestável  Vai assim mudando, recriando, não aceitando aquilo que fazem nos outros e ferem  na gente.
 A gente enxerga  como é rica as nossas diferenças, e se recusa a se adaptar...vai assim se ralando, mas nunca modelando, nunca se formando.

Nada de hipocrisia, eu quero o sentimento puro e verdadeiro!

 Um só povo, uma unica nação!

Meu sangue ferve com o sangue inocente derramando! Meu sangue assim meio verde... feito passarinho que quer ser solto, mas espera preso na  gaiola de concreto!

Como eu queria Kaiowa ter a sorte deste sangue guerreiro!

Graci Furby